Ação popular pede a saída do novo presidente da Fundação Cultural Palmares

Representantes da Sociedade Civil e da luta antirracista no Brasil se mobilizam para anular a nomeação do jornalista Sérgio Nascimento de Camargo, por contrariar os prncípios da instituição que surgiu em 1988 como um dos resultados da luta do movimento negro brasileiro.

Agência Áfricas de Notícias – por Claudia Alexandre (@claualex16)

                A posição política do novo presidente da Fundação Cultural Palmares e os recentes depoimentos compartilhados por ele pelas redes sociais, com ataques ao movimento negro, personalidades negras e até desqualificando a ideologia do racismo motivou uma Ação Popular, que  foi protocolada, na manhã desta sexta-feira, 29, junto à Justiça Federal da 1ª. Região, em Brasília (DF), O documento em caráter de urgência pede para que seja anulada a nomeação do jornalista Sérgio Nascimento de Camargo. A ação,   com pedido de tutela de urgência,  arrola a União e o Ministro da Casa Civil, Fernando Wandscheer de Moura Alves por terem feito a nomeação para a presidência da FCP, publicada no Diário Oficial no último dia 27.

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                Pelas redes sociais Sergio Nascimento já postou que:  “a escravidão foi benéfica para os descendentes africanos”;  que o racismo aqui não foi “real”; que os negros do movimento negro são “burros, que o M.N. deveria ser extinto”. Além disso fez ataques ao movimento feminista negro e desqualificou representações como  Lázaro Ramos, Thais Araújo, Camila Pitanga e Martinho da Vila, chamando o sambista de “vagabundo”.

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No documento os representantes detalham que a indicação de Nascimento para o cargo é absolutamente “injurídica e contrária ao interesse público” uma vez que  a trajetória dele está na contramão dos interesses da Fundação Cultural Palmares, que foi instituída em 1988, como marco do centenário da abolição, com a missão de atuar dentro dos preceitos constitucionais de reforços à cidadania, à identidade, à ação e à memória dos segmentos étnicos dos grupos formadores da sociedade brasileira, além de fomentar o direito de acesso à cultura e à indispensável ação do Estado na preservação das manifestações afro-brasileiras. (Lei Federal n. 7688. 22/09/1988 – Decreto 6853 – Doc. 6, de 15/05/2009). Assinam a ação Melili Dinis do Nascimento e Gladys Nascimento. As autoras da Ação Popular  são Dra. Edelamare Melo (sub-produradora Geral do Trabalho do MPT)  e psicopedagoga Eliana Santos Souza, representando entidades da sociedade civil entre coletivos negros, índigenas, quilombolas, LGBT, povos de terreiro, associações culturais, profissionais e intelectuais negros de todo o Brasil.

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