As Cores da Serpente estreia em São Paulo e destaca a arte do grafite em Angola

Documentário  dirigido por Juca Badaró retrata o processo artístico de jovens  em Angola para conceber o maior grafite de África. Como parte do lançamento haverá roda de conversa e pintura de um muro na região central da capital paulista

Agência Africas de Notícias – por Claudia Alexandre

São Paulo  – O desafiador processo artístico de jovens grafiteiros em Angola,  para  colorir os Murais da Leba, uma estrada histórica com cerca de 20 quilômetros, na sinuosa Serra da Leba, no país africano. Essa  é a essência do documentário As Cores da Serpente, do diretor brasileiro Juca Badaró, que será lançado em São Paulo,  no dia 21 de março, data simbólica instituída pela ONU como  o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial. A exibição será no Espaço Itaú de Cinema Frei Caneca (Rua Frei Caneca, 569 – 3º piso).

Uma pré-agenda de lançamento já começa na quinta-feira dia 15 e se estenderá até o mês de abril, com exibições em outras capitais. Para marcar o lançamento do documentário na capital paulista Juca Badaró, o jornalista Vladimir Prata e o artista Rafa, ambos angolanos, participarão  de uma Roda de Conversa no quilombo urbano Aparelha Luzia, no domingo, dia 17, às 18h, na rua Apa, 78, Centro de São Paulo (SP). Com o tema Arte e Ancestralidade mais arte urbana e produção artística afrodescendente, eles debaterão com os convidados e artistas brasileiros Diego Mouro e Zeh Palito. Outra ação do lançamento na cidade será a produção de um grafite em 15 e 16/03, capitaneada pelo Instagrafite.

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A concepção de As Cores da Serpente

O documentário poético procura registrar de maneira afetiva a motivação dos artistas que compõe o Coletivo  Murais da Leba. O grupo realizou a maior intervenção de grafite do continente africano nos paredões que serpenteiam a Serra da Leba, estrada que se encontra entre as províncias da Huíla e do Namibe, em Angola.

Segundo Badaró, não se trata de um documentário contemplativo, nem expositivo, porque não se propõe a defender uma linha de pensamento à empreitada  até a sua conclusão. “Trabalhei na área de comunicação em Angola, e quando conheci o projeto, em 2015, resolvi registrar porque percebi que o que move os jovens artistas angolanos é a busca da própria identidade e das tradições, num país que viveu mais de 30 anos em guerra”, conta Badaró, com carreira consolidada em produções de TV, documentários e filmes de ficção no Brasil e no exterior.

A pintura dos 6.000 m2 de paredões foi realizada entre agosto e novembro de 2015. O Coletivo Murais da Leba  foi formado por 27 artistas angolanos, das províncias de Luanda, Namibe e Huíla. Em  2018, os grafiteiros baianos Annie Ganzala, Ananda Santana e Eder Muniz participaram de uma nova pintura no mural, por meio do  projeto África e a Diáspora – Novas Conexões.

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A estrada-cenário de As Cores da Serpente começou a ser construída pelos portugueses no final do século XIX e só foi concluída às vésperas da independência de Angola, em 1974. Tornou-se um dos mais conhecidos pontos turísticos do país, na Serra da Leba, uma deslumbrante formação montanhosa que separa as províncias da Huíla e do Namibe. A via era necessária para facilitar o transporte de mercadorias e pessoas entre as duas províncias.

O simbolismo e a mística do lugar são indescritíveis, inspiração que levou Badaró a imaginar um registro afetivo do processo de criação dos jovens artistas do grafite com suas motivações e desejos de transformação, desafiados a transfigurar os murais curvilíneos.  “Se imaginarmos uma intervenção artística capaz de dialogar com a história e o meio ambiente, estamos a falar de um bom motivo para fazer um filme”, defende o diretor.

O documentário também passa pelas experiências de artistas locais que trocaram conhecimento com grafiteiros de outros países, convidados pelo Coletivo. Seja por meio da formação ou do intercâmbio cultural, a participação de artistas estrangeiros exerce um papel imprescindível no sentido de transcender os limites da arte de rua em Angola.

O filme foi produzido com recursos próprios e apoios financeiros. A Distribuição, pela Salvador Filmes e produtora Domínio Público, recebeu verba de incentivo fiscal. do Fundo Setorial do Audiovisual, por meio do edital Prodecine 03, de Distribuição.

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No dia 21 de março As Cores da Serpente também entrará em exibição nos Espaços Itaú de Cinema:  Guará, em Brasília (DF);   em Porto Alegre (RS); e  em  Curitiba (PR). Diretores e artistas também participarão das estreias no Espaço Itaú de Cinema Botafogo,  Rio de Janeiro (RJ),  em 28 de março;  e em Salvador (BA), no Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha, no dia 4 de abril.

Ficha técnica

FILME: AS CORES DA SERPENTE

Diretor – Juca Badaró

Roteirista – Juca Badaró

Diretor de fotografia – Juca Badaró

Diretor de arte – Juca Badaró

Produtor Executivo / Campo – Renata Matos

Editor – Juca Badaró

Personagens principais – Thó Simões, Vladimir Prata, Rafa.

Montador de clips – Sandro Dourado

Produtora: Domínio Público

Distribuidora: Salvador Filmes

Financiador: BRDE / FSA / ANCINE

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