CULTNE DOC – “O que Não Cabe em 500 Anos: Outra História dos Povos Africanos”

Cultne com imagens e edição de Filó Filho e Mario Elena registrou em 20 de outubro a atividade "O que Não Cabe em 500 Anos: Outra História dos Povos Africanos", uma aula-exposição ao ar livre no Cais do Valongo, zona portuária do Rio de Janeiro. O evento foi promovido pelo IPEAFRO – Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros e pelo Partiu! – Plano de Arte e Intervenção Urbana, e fez parte da Virada Sustentável 2019 e do Circuito Urbano 2019. A atividade teve como ponto de partida a Linha do Tempo dos Povos Africanos, pesquisa desenvolvida pelo IPEAFRO que remonta o quebra-cabeça da história autêntica da África, dos africanos e seus descendentes em todos os continentes, desde o berço da humanidade até os dias atuais. O artista urbano Cazé Arte apresentou ao público, pela primeira vez, sua interpretação da Linha do Tempo, no tamanho de 7,20m x 2,10m. A pintura foi feita em painéis montados a partir de madeiras de demolição e pneus de bicicleta reaproveitados. O escritor e poeta Milsoul Santos abriu o evento com sua interpretação do poema Padê de Exu Liberador, de Abdias Nascimento. O DJ Rajão criou a atmosfera afrocentrada com a batida ancestral. Após a introdução feita por Leonardo Veiga, do ONU-Habitat Brasil, os professores Mônica Lima (Instituto de História/UFRJ), Elisa Larkin Nascimento (IPEAFRO), Renato Noguera (Departamento de Educação/UFRRJ) e Carlos Alberto Medeiros (IFCS/ UFRJ) deram aula, seguida de conversa com o público. O Cais do Valongo foi uma entrada portuária central pelo qual chegou às Américas o maior contingente de africanos escravizados. Estima-se que mais de um milhão de negras e negros africanos tenham passado pela região. A proibição e o fim do tráfico de escravos e a abolição da escravatura no Brasil foram seguidas por um processo de ocultamento, inclusive material, dos vestígios. Em 2011, com as obras de revitalização da zona portuária, houve o “redescobrimento” do local, quando começou a luta por seu resgate histórico e de valor cultural como forma de resistência e memória. Em 2017, o Cais foi declarado Patrimônio Mundial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

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