Ela é Onisajé. A primeira Mulher Negra a dirigir espetáculo da Cia de Teatro da UFBA

 
Onisajé (Fotos: Adeloyá Magnoni)
Abrindo a programação do III Fórum Negro das Artes e Cultura (FNAC), no dia 18 de abril, a Cia de Teatro da Universidade Federal da Bahia (UFBA) estreará “Peles Negras, Máscaras Brancas”, inspirada na obra de Franz Fanon com encenação de Onisajé (Fernanda Júlia).
 
O espetáculo esta em cartaz  em dias alternados  ate dia  31 de março; e dias  5, 6, 7, 12, 13  e 14 de abril, às 19h, com entrada gratuita, no Teatro Martim Gonçalves.
 
A encenadora traz um elenco exclusivamente negro para a montagem. Em 2017, a peça “Gusmão – O Anjo Negro e sua Legião”, dirigida por Tom Conceição, foi  pioneira em ter elenco negro pela companhia. “A Escola de Teatro da UFBA é pioneira ao trazer isso para a cena: o olhar para a diversidade cultural do povo brasileiro”, relata Onisajé.
 
“O teatro é um espaço midiático, de criação, de plano simbólico, de referências e reconhecimento.
Ver-se e ser visto é muito importante”, comenta Onisajé.
 
Em cena, o psiquiatra e ensaísta da Martinica, Franz Fanon, será encenado por dois atuantes, o ator negro e cisgênero Vitor Edvani e a atriz negra e transexual Matheuzza Xavier. “O teatro é um espaço ainda sem muitas investigações e inserções de corpos trans ou travestis”, crítica Matheuzza.
 
Povo preto representado
 
“Peles Negras, Máscaras Brancas” é fruto da reivindicação dos alunos da graduação e da mobilização de artistas negros engajados fruto do FNAC, com co-direção de Licko Turle, professor visitante da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). O elenco composto por Iago Gonçalves, Igor Nascimento, Juliette Nascimento, Manu Moraes, Matheus Cardoso, Matheuzza, Rafaella Tuxá, Thallia Figueiredo, Victor Edvani, Wellington Lima foi selecionado em audição.
 
Com dramaturgia de Aldri Anunciação (o mesmo de Namíbia, Não!), o enredo se passa em três períodos: 1950, quando Fanon escreve “Peles Negras, Máscaras Brancas”, 2019 e 2888, mil anos após a abolição da escravidão. “Tem um pessimismo ao pensar e repensar feridas provocadas pela colonialidade”, diz Aldri. Para o dramaturgo, a ironia da abordagem é pensar enfrentamentos para que as feridas subjetivas da população negra não se perpetuem.
 
O conceito do “Tempo Espiralado”, da escritora Leda Maria Martins é uma das referências de Aldri para pensar uma temporalidade dentro da filosofia africana.  “O tempo ocidental é plasmado nas palavras e tem uma articulação de início-meio-fim. Já no tempo africano, o passado e o futuro dialogam resultando num presente”, realça.
 
Luciano Salvador Bahia dá uma atmosfera de ficção científica a partir da direção musical, que traz a mistura de ritmos eletrônicos-futuristas com percussão afro-brasileira. A direção de arte de Thiago Romero e Tina Melo põe em diálogo a relação da colonização, entre o embranquecimento e a perda da memória ancestral e brinca com elementos que constroem a consciência de ser negro.
 
Serviço
O quê: Pele Negra, Máscaras Brancas
Quando: 18, 23, 24, 29, 30 e 31 de março; 05, 06, 07, 12, 13 e 14 de abril, às 19h
Onde: Teatro Martim Gonçalves
Entrada: Gratuita
 
 Fontes: IHACUFBA/Correonago/Geledés/Correio24horas/Revistaquilombo/Notíciaspretas

por Mônica Aguiar

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