Fórum sobre samba e mídias digitais lota auditório do Inovabra em SP

 Agência Áfricas de Notícias – por: Central de Comunicação 

São Paulo – Na semana em que se comemorou o Dia Nacional do Samba, a rádio online BR Brazil Show – BRZ, em parceria com o Bradesco Habitat e o Inovabra, reuniram bambas e profissionais no Fórum: Impacto e influência das mídias digitais na arte e na cultura, quinta-feira, 05/12.

O evento, que aconteceu no auditório do Inovabra Habitat, contou com três painéis. No primeiro, a jornalista e apresentadora do programa Sacode Geral, Cris Molina, recebeu os empresários Carolina Zaine, da Agência Vert Inteligência Digital, Carolina Sasse, da Cadena Sistemas, e Danilo Moraes, da Agência Babel-Azza, que fizeram uma análise sobre comportamentos musicais do público e a performance do samba nas redes sociais.

Os três foram categóricos e afirmaram que quem está nas redes sociais para se autopromover ou divulgar seu trabalho deve, acima de tudo, observar as métricas que as ferramentas oferecem para saber como se comunicar com seu público.  “É preciso olhar para as métricas que as plataformas dão e trabalhar a partir desses números para obter resultados”, explicou Carolina Zaine. Para ela, quem trabalha com samba precisa ser mais arrojado nas redes e profissionalizar essa relação. Zaine também pontuou que muito mais importante do que ter seguidores, é ter engajamento. “Numa escala de importância, likes valem 1 ponto, enquanto comentários 5 e compartilhamentos 10, uma vez que o público gostou tanto do que viu que replicou em seu próprio feed de notícias”.

Danilo Moraes concordou e foi além. O publicitário avaliou o samba como o elemento mais importante para despertar sentimentos com a mensagem das marcas. “O samba tem muito potencial. É o terceiro gênero mais apreciado no Brasil, com um público jovem e bem qualificado”, pontuou. Para Moraes, o samba deve agir com mais assertividade nas redes sociais, buscando o que está dando certo, sem perder sua essência, sua verdade. “Dou o exemplo da cantora Anita, que conversa com o público em seus Stories de forma simples, mostrando o seu dia-a-dia, o que acontece por trás das câmeras e que, com isso, alcança muito mais engajamento do público do que se mostrasse apenas vídeos de seus shows”.

Quando questionados sobre Podcasts, Carolina Sasse foi enfática, dizendo que a ferramenta veio para ficar. “Grandes empresas já usam o recurso como forma de se comunicar com seu público, o que demonstra que é possível explorar isso para divulgação de trabalho”, contou a empresária.

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O segundo painel foi comandado pela jornalista, radialista e âncora da BRZ, Claudinha Alexandre, que recebeu a também jornalista e escritora Maitê Freitas, o escritor e historiador Bruno Baronetti, e o sambista, sociólogo e historiados Tadeu Kaçula, para conversar sobre “o samba nas plataformas digitais – tradição e reinvenção”.

Para Maitê, o samba não pode ser considerado um fenômeno, pois ele é mais do que apenas um gênero musical. “O samba traz consigo uma sabedoria ancestral e uma visão de mundo que vai muito além de um fenômeno musical, ele é essência, é criado para existir”, contou a pesquisadora que explicou que o samba veio com os negros nos navios negreiros, com o som dos batuques ao atravessar o mar até aqui.

Kaçula complementou dizendo que o samba se tornou um gênero musical quando a indústria cultural percebeu que poderia ganhar dinheiro com isso. “Mas o samba é a simbologia de uma luta étnica-racial de resistência, por isso ele não morre”.

Bruno Bartonetti também pontuou que é preciso valorizar a história do samba e buscar registrar os acontecimentos para que eles nãos e percam com o tempo, sejam através de livros, documentários ou artigos científicos. “É como a Maitê disse: são 103 anos de samba, mas do que se foi datado. O samba já existia há muitos anos e temos que contar essa história”, disse o escritor.

Os três afirmaram que o samba não precisa se reinventar, mas sim encontrar o seu lugar nas mídias digitais. “É preciso criar políticas públicas para que a internet chegue de fato até as periferias e trabalhar essa comunicação para que as pessoas tenham acesso aos conteúdos de samba produzidos”, falou Maitê sobre a quantidade de documentários que já existem em plataformas como o Youtube e que ainda não possuem visualizações significativas.

O terceiro e último painel, também apresentado por Claudinha Alexandre, foi “samba: velhos e novos olhares para o futuro”, que recebeu os bambas Margareth Valentim, empresária responsável pelos Prettos, Moises da Rocha, radialista icônico no samba, André Machado, carnavalesco da Rosas de Ouro, e Salgadinho, cantor que reviveu os anos 90 com o projeto Pagode 90.

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Margareth é considerada uma produtora ímpar. Arrojada e à frente de seu tempo, consegue levar um público de até 2.500 pessoas todo mês para o Quintal dos Prettos, projeto que idealizou com os irmãos Magno Sousá e Maurílio de Oliveira. “Já que as casas noturnas não queriam receber meus clientes por não considerar que são ´comercialmente´ atrativos, arregaçamos as mangas e criamos um produto que deu muito certo”, contou. A empresa disse ainda que só usa as redes sociais para divulgar os eventos e que preza por um material de qualidade para se comunicar. “Eu quero o melhor para o meu público e isso faz toda a diferença”. Além de uma formatação moderna, Margareth contou ainda que o grande diferencial é o tratamento que a dupla dá às pessoas que vão ao evento. “São eles que recebem o público que vai assisti-los. Quando você chega ao Quintal, já dá de cara com eles, que conversam, tiram fotos e acolhem”.

O radialista Moisés da Rocha, que é o novo parceiro da BRZ e terá, em 2020, o programa O Samba pede passagem na grade da rádio online, disse que o universo digital ainda é novo para ele, mas que aos poucos está se inserindo e que acredita que, apesar da crise que o samba enfrenta, vai voltar a ser destaque. “Já sofri muito preconceito por ser negro, mas aos poucos isso vem mudando e as pessoas já me reconhecem pela bagagem profissional que carrego”, contou Moisés, depois de expor que já rasgou contrato com uma emissora que ao ver que era negro, queria impedi-lo de apresentar o carnaval.

André Machado é um carnavalesco carioca que já adotou São Paulo como sua cidade. A história de Machado, como a de muitos (se não de todos) que vivem com e pelo samba, é difícil, mas fantástica. Começou cedo, aos 13 anos, e já nessa idade era visionário. Guardou o preconceito no bolso e veio para a terra da garoa conhecer o carnaval. Caiu, na mesma semana, nas quadras da Vai-Vai e da Nenê de Vila Matilde. A paixão foi imediata e aceitou o convite da Barroca Zona Sul para ser carnavalesco. Não saiu mais daqui. Passou pela Mocidade Alegre, Camisa Verde e Branco, Nenê de Vila Matilde, Perola Negra e agora está na Rosas de Ouro com um enredo que levará para a avenida o primeiro robô com realidade aumentada. “Quis mostrar que a tecnologia é importante, mas que não podemos perder a humanidade. A máquina não substitui o homem em tudo”, contou o carnavalesco que negou o pedido para que a bateria da escola fosse substituída por robôs. “Precisamos valorizar os momentos em família, com amigos. Momentos que as máquinas não podem tomar conta”, disse ao se referir ao tempo que as pessoas gastam no celular.

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O cantor Salgadinho, que fez sucesso nos anos 90 com o grupo Katinguelê e voltou a ser destaque com o projeto Pagode 90, concorda com André. “É preciso saber dosar a tecnologia, ela não pode tomar conta da vida da gente”, disse. Salgadinho contou sua trajetória profissional e reforçou a fala de Maitê Freitas sobre a importância de políticas públicas para dar acesso à internet nas periferias. O cantor falou da importância da rádio na época em que fez sucesso com o grupo e de como essa força  que o veículo teve, fez com o que a televisão não tivesse outra escolha, a não ser mostrar os grupos. “Somos negros. Totalmente fora dos padrões da televisão. Então, imagina. Éramos negros e fazíamos sucesso nas rádios. Eles não tiveram outra escolha”, disse Salgadinho, que lembrou que ganharam o apelido de “gatinhos do pagode”. “Muita gente tirava sarro da nossa cara por conta disso. Os próprios sambistas. Até hoje alguns me olham e dizem que não sou sambista, sou pagodeiro”, contou. Para Salgadinho, o que falta é união entre os sambistas. “A gente precisa dar as mãos. Um segurando a mão do outro para a gente chegar cada vez mais longe”.

O vídeo do Fórum .:


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