Maria Soldado: uma mulher negra limeirense na Revolução de 1932.

Mães, esposas, donas de casa. Colocadas sob segundo plano quando se trata da história das guerras, mais de 72 mil mulheres provaram sua importância e o valor de seu legado em 1932, um dos maiores movimentos armados da história do Brasil.

Capítulo ainda recente escrito nas páginas tupiniquins, a Revolução Constitucionalista de 1932 contou com a participação feminina no desempenho de funções como enfermeiras, costureiras e cozinheiras. Enquanto os homens lutavam bravamente nas trincheiras, elas trabalhavam nas indústrias bélicas e também auxiliavam nas tarefas referentes ao suporte logístico.

Algumas mulheres, porém, também alçaram o posto de heroínas da revolução por assumirem a frente de batalha

Negra, filha de escravos, Maria José Bezerra, era cozinheira de uma família importante. Paulista de Limeira, nascida em 9 de dezembro de 1895, que se alistou como enfermeira na Revolução de 32 – movimento armado ocorrido no Brasil entre julho e outubro de 1932, em que o Estado de São Paulo visava a derrubada do governo provisório de Getúlio Vargas e a instituição de um regime constitucional após a supressão da Constituição de 1891 pela Revolução de 1930.

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Maria José tinha espírito de lutadora e resolveu abandonar as panelas para entrar nessa guerra.

Vestiu uniforme de constitucionalista e se misturou com os homens e ninguém percebeu que era uma mulher. O segredo só foi descoberto um mês depois, quando ela foi ferida na Legião Negra, composta de 3. 500 homens todos negros.

Armada com fuzil ela combateu em Itararé, Ligiana e Buri e recebeu o apelido de Maria Soldado . Foi chamada de “mulher símbolo” e recebeu mais tarde, homenagem na Câmara Municipal de São Paulo.

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Retornou à vida de cozinheira, mas sempre participava das manifestações estudantis. Com idade avançada, vendia doces e salgados na porta do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Em fevereiro de 1958 foi encontrada morta num quartinho na Rua da Consolação. Maria Soldado nasceu em Limeira, São Paulo em 1895. Hoje, na sua cidade natal Maria Soldado é uma ilustre desconhecida.

Sobre a mulher lutadora e sua causa, edição de 5/9/1932, do jornal A Gazeta dizia:

Uma mulher de cor, alistada na Legião Negra, vencendo toda a sorte de obstáculos e as durezas de uma viagem acidentada, uniu-se aos seus irmãos negros em pleno entrincheiramento na frente do sul, descrevendo a página mais profundamente comovedora, mais cheia de civismo, mais profundamente brasileira, da campanha constitucionalista, ao desafiar a morte nos combates encarniçados e mortíferos para o inimigo, MARIA DA LEGIÃO NEGRA! Mulher abnegada e nobre da sua raça.”

Por Afrobrasileiros

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1 comentário Adicione o seu

  1. otacilio favero de souza disse:

    eu ja tinha ouvido falar nela. tem um livro.

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