“Medida Provisória” marca a estreia de Lázaro Ramos como diretor de cinema

Brau, Foguinho e Madame Satã são alguns dos vários
personagens famosos interpretados por Lázaro Ramos. O artista, que decidiu ser
ator aos 15 anos de idade, não se encaixa em uma única nomenclatura, pois
diversas áreas já aproveitaram o talento do baiano.

Autor de três livros, sendo dois de literatura infantil,
Lázaro está em um momento de navegar pelo sucesso de seu best-seller ‘Na minha
pele’, mas abdicou da sombra e água fresca para mergulhar no grande oceano da
indústria cinematográfica- agora como diretor.

Medida Provisória é um longa metragem, de gênero fictício,
que conta a história de um governo que obriga negros a se mudarem para o continente
Africano.

Ator, escritor e apresentador, Lázaro Ramos embarca em novo desafio enquanto vive o sucesso de ‘Na minha pele’

O elenco conta com Alfred Enoch como protagonista. Conhecido por interpretar Wes Gibbins no seriado americano How To Get Away With Murder, Alfred contracenará com Taís Araújo, e ambos conduzirão a trama. O elenco também conta com Adriana Esteves, Flávio Bauraqui, Mariana Xavier, Renata Sorrah e Seu Jorge, além da estreia do rapper e escritor Emicida.

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Embora haja um certo suspense em torno da narrativa, o filme
é baseado na peça teatral “Namíbia, não!”. A obra, que completou nove anos de
lançamento no dia 3 de março, foi estreada em terras baianas e se firmou como
um grande sucesso, alcançando mais de 100 mil espectadores.

O texto teatral de “Namíbia, não!” narra a história de
brasileiros negros forçados pelo Governo a retornarem ao continente Africano-
uma diáspora às avessas. A Medida Provisória, emitida pela justiça, autoriza a
deportação de todos os negros que andem pelas ruas. Por saberem que não podem
ser livres, André e Antônio se refugiam em casa e passam o tempo debatendo
sobre a vida no Brasil e as consequências do possível retorno ao continente
Africano.

Alfred ao lado de outros integrantes do elenco, como Taís Araújo, Seu Jorge, Mariana Xavier, Renata Sorrah e Adriana Esteves.

Diretor negro?

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Não bastasse o trabalho de produzir um filme, Lázaro Ramos embarca em mais um desafio: ser diretor negro no cinema brasileiro. A pesquisa divulgada em 2018 pela ANCINE (Agência Nacional de Cinema) mostrou que apenas 8% dos filmes são feitos por negros. A partir desse dado, se torna quase visível a barreira que Lázaro Ramos terá de enfrentar enquanto responsável pela construção de Medida Provisória.

A cineasta Viviane Ferreira declarou ao programa “Entre Vistas” que negros não têm referência na indústria cinematográfica. A profissional, que à época produzia o filme Um dia com Jerusa, ocupava o lugar de segunda diretora negra no cinema, ficando atrás de Adélia Sampaio que em 1983 dirigiu a obra Amor Maldito.

A falta de referências negras é obstáculo para que diretores
e produtores negros não sejam selecionados para editais e, consequentemente,
não produzam filmes. Viviane afirma que uma das etapas para ser selecionado é
utilizar referências, mas as dela não podem ser usadas por não terem o
reconhecimento de diretores famosos “Se não é Fellini ou Bertolucci, é
considerado como não entendedora de cinema. Porque Zózimo Bulbul e Adélia
Sampaio não existem para quem legitima a existência cinematográfica do país”,
afirmou.

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Contrário à indústria, foi exatamente o cineasta ignorado
pelo cinema que suscitou em Lázaro Ramos a vontade de explorar novas áreas do
ramo artístico. No best-seller “Na Minha Pele”, Lázaro relembra que entrevistar
Zózimo Bulbul se tornou experiência para seu amadurecimento enquanto
documentarista.

Assim como- os poucos- filmes produzidos por cineastas
negros que pautam questões raciais, Medida Provisória será feita sob a ótica de
um diretor preto que sabe a dor de estar na pele de 54% da população
brasileira.

Notícia Preta

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