Mestre de Jongo da Comunidade Dito Ribeiro recebe título de Cidadão Campineiro

Aos 87 anos, ex-ferroviário, Carlos Augusto Ribeiro, Tio Dudu, foi homenageado durante as festividades pelo Dia de São Jorge e Ogum na Fazenda da Roseira

Agência Áfricas de Notícias – por Claudia Alexandre

Semana de muita emoção para o Tio Dudu, mestre da Comunidade Jongo Dito Ribeiro, da cidade de Campinas, Interior paulista. Nascido no bairro de Vila Mariana, zona sul de São Paulo, no dia 27 de abril de 1932, ele recebeu na última terça-feira, dia 23 de abril, o título de Cidadão Campineiro, na sede da organização que funciona na Casa de Cultura Fazenda Roseira, no Residencial Parque da Fazenda. A iniciativa foi do vereador Carlão do PT, que esteve na cerimônia ao lado do secretário de Esportes e Lazer da Prefeitura de Campinas, Dario Saad, da Comendadora Edna Lourenço e de Mãe Alê do Jongo (Dra Alessandra Ribeiro) e diversos convidados.

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O evento marcou as festividades do dia de São Jorge, dos católicos e de Ogum das religiões afro-brasileiras, mas ganhou uma importância maior para o ex-ferroviário, Carlos Augusto Ribeiro, que tem orgulho de dizer que é filho do orixá, que no sincretismo é relacionado à aquele que abre os caminhos e é vencedor das batalhas. “Eu estou aqui forte, graças à Ogum, não tenho muito que falar, só a agradecer”, disse ele, esbanjando vitalidade.

Tio Dudu, como é carinhosamente conhecido tem um currículo digno de mestre. Chegou ainda menino na cidade de Campinas, onde estudou, e após prestar serviço militar, no Rio de Janeiro, ingressou na Companhia de Ferro Mogiana, onde se aposentou como maquinista. E foi essa ocupação que o levou na década de 80 para o Iraque, onde trabalhou em uma ferrovia em Bagdá. Na volta ele iniciou carreira como instrutor de auto-escola, até se aposentar definitivamente.

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Mas não é só isso. Pronto para a festa dos 87 anos, que será sábado, dia 27, o Tio Dudu é um verdadeiro griot ( os sábios contadores da história de seu povo negro), articulador cultural e um grande defensor das raízes de matriz africana. Em Campinas ele fundou o primeiro time de futebol da Suvinil, onde formou através do esportes meninos na categoria infanto-juvenil e também adulto; ele criou a Escola de Samba Lórdes da Prainha, que agitava os antigos carnavais nas ruas da cidade. Ele também é fundador do Templo de Umbanda Mãe Joana Três Estrelas, que já completou 60 anos de atividade. E tem mais, é sambador, jongueiro e já foi capoeirista. “Não era tão bom, mas dava minhas pernadas”, disse sorrindo, o sábio Cidadão Campineiro

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