MP-BA investiga discriminação religiosa de organização de livraria flutuante e determina retirada da mensagem

Organização internacional cristã publicou nas redes sociais pedindo orações ao anunciar uma viagem para Salvador e disse que a cidade é conhecida por ‘crenças em demônios’.

Por G1 BA

O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), por meio da promotora Lívia Vaz, anunciou nesta sexta-feira (25) que vai investigar a discriminação religiosa por parte da organização internacional cristã Good Books for All Ships (GBA Ships), responsável pelo navio Logos Hope, considerado a maior livraria flutuante do mundo.

A medida do MP-BA ocorre depois de uma publicação nas redes sociais da organização em que é anunciada a viagem da embarcação para Salvador. No post, a organização pede aos seguidores que façam uma oração pois a cidade “é conhecida pela crença das pessoas em espíritos e demônios”.

“O Ministério Público do Estado da Bahia, através da Promotoria de Justiça e Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, tomou conhecimento, na data de hoje [sexta, 25], de mensagens de cunho discriminatório, emitido pela Logos Hope – Livraria Flutuante. Foi instaurado o devido procedimento e a organização do navio foi notificada com recomendação para retirada da mensagem das redes sociais, bem como para prestar esclarecimentos no prazo de três dias”, disse a promotora Lívia Vaz.

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G1 entrou em contato com a assessoria da organização que ficou de se posicionar sobre o caso.

Nesta sexta-feira, dia em que o navio abriu para visitação, o G1 visitou a embarcação. Algumas pessoas que estiveram no local reprovaram a atitude da organização.

“Eu não estava sabendo que isso aconteceu, mas de qualquer forma está errado. A gente não pode falar mal de nenhuma religião, nem ter preconceito com elas. Temos de respeitar”, disse a turista carioca Iracema Silva.

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As amigas e estudantes baianas Maryana Lima e Lavínia Silva também se posicionaram sobre o caso.

“Pensei em desistir de entrar. Não sou de religião nenhuma, mas me senti ofendida. Chega de preconceito”, disse Maryana. “Bateu bem negativamente. Essa não é uma boa forma de chegar na cidade dos outros”, completou Lavínia.

A Comissão Especial de Combate à Intolerância Religiosa da OAB-BA também se posicionou sobre o caso e através de nota repudiou a declaração da operadora do navio Logos Hope. De acordo com a presidente da comissão, Maíra Vida, declarar que a tripulação estaria submetida a riscos ao chegar em uma cidade “conhecida pela crença do povo em espíritos e demônios” ultrapassa os limites da liberdade de expressão e liberdade religiosa, revelando incoerência de uma entidade que se declara fomentadora da educação e do conhecimento.

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Caso

A organização internacional cristã Good Books for All Ships, responsável pelo navio Logos Hope, fez uma publicação nas redes sociais pedindo orações aos seguidores ao anunciar uma viagem da embarcação para Salvador.

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