Mulheres precisam de 202 anos para alcançar plena igualdade econômica

Mônica Aguiar 
A mulher tem ao longo das ultimas décadas  conquistado maior participação no trabalho ganhando mais espaço na sociedade de forma geral. Mas as desigualdades entre homens e mulheres continuam sendo elevada em todo o planeta.
 
No Brasil as desigualdades salariais entre homens e mulheres diminuíram timidamente no ano de 2018 em comparação com 2017.
 
As mulheres já marcam presença em grande escala nas empresas, mas a maioria ocupam cargos de baixa hierarquia, onde a tomada de decisão é restrita aos homens.
 
Neste ritmo as desigualdades entre homens e mulheres na maioria das áreas não serão eliminadas antes de pelo menos 108 anos. E também levará 202 anos para reduzir a diferença no trabalho.
 
O Fórum Econômico Mundial divulgou um relatório sobre a desigualdade salarial, já que a dessemelhança com base no gênero continua a ser uma realidade.
 
Segundo os dados divulgados pela organização, serão necessários 202 anos para alcançar uma plena igualdade nas oportunidades econômicas entre homens e mulheres. 
 
Na Europa Ocidental, parte do continente onde Portugal está inserido, serão necessários 61 anos para que a igualdade de gênero seja consagrada. Segundo o relatório sobre Desigualdade de Gênero, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial, o território português caiu quatro posições, quando comparado com o ano passado, surgindo agora no 37.º lugar no ranking mundial, entre 149 países.
 
O estudo anual foca-se na análise de fatores como o empoderamento político, a igualdade salarial e os acessos aos serviços de saúde e de educação. Observações feitas, concluiu-se que a Islândia é o país que mais promove a igualdade de gênero, voltando a ocupar o lugar do pódio pela décima vez consecutiva. Em segundo lugar, surge a Noruega, seguida  pela Suécia, Finlândia, Filipinas, Irlanda, Nicarágua, 
Ruanda e Namíbia.
 
 A desigualdade salarial continua a ser considerada um dos campos mais preocupantes. Segundo o relatório, a nível global, seriam precisos 202 anos – de debates acesos e medidas políticas –  para alcançar a plena igualdade nas oportunidades econômicas, entre ambos os gêneros. Tendo em conta a análise deste setor, Portugal surge com uma das piores posições, ocupando o lugar 103 em 149 lugares.
 
A análise mais recente do Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (GEP-MTSSS), relativa ao ano de 2016, revelou que os salários médios das mulheres portuguesas são 15,8% inferiores aos dos homens. Em terras lusitanas, neste momento, as mulheres, para ganharem tanto quanto os homens, precisariam de trabalhar quase dois meses mais (58 dias) do que eles, representando uma diferença salarial de cerca de 160 euros mensais.
 
O contraste entre gêneros fica mais carregado quando o assunto analisado é a política. Nos últimos 50 anos, o tempo médio de atividade de uma mulher, como primeira-ministra ou chefe de Estado, foram essencialmente de dois anos. Segundo a análise, em 149 países,existem apenas 17 mulheres a desempenharem cargos de chefia estatal ou governamental.
 
O documento, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, revelou ainda que, entre todos os dirigentes mundiais, somente 34% são mulheres. Neste campo, o panorama agrava-se em países do Médio Oriente e do Norte de África. Para que a igualdade política seja consolidada, serão necessários 107 anos.
 
O setor da educação é o que mais tem progredido: a desigualdade de gênero tem vindo a diminuir no acesso. Tendo em conta o balanço elaborado, é necessário apenas que seja ultrapassada uma margem mínima de 5% para que a equidade plena seja conquistada. Simplificando: serão precisos 14 anos para erradicar as desigualdades na educação, a nível global.
 
A mesma evolução tem-se feito sentir no setor da saúde. Neste campo, a maioria dos países tem conseguido igualar as oportunidades para homens e para mulheres. Segundo o Fórum Econômico Mundial, em 2018, registaram-se mais progressos do que retrocessos em relação à igualdade de gêneros. No entanto, ainda existe um longo caminho a ser percorrido.
 
O relatório anual sobre paridade examina a situação em 149 países em quatro setores: educação, saúde, política e o mundo do trabalho. O Brasil caiu 5 posições no ranking de 2018 na comparação com o ano passado, e ficou na 95ª posição.
 
Fontes e trechos : Conexaolusofona/ G1

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