Novembro. Atenção para não cometer excessos ao divulgar a consciência negra

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Por Mônica Aguiar 


O mês da Consciência Negra no Brasil é o mês que marca e destaca ações da luta dos negros contra o racismo, discriminação e preconceitos racial.

Muitas divulgações estão colocando o mês e Dia da Consciência Negra como data de comemoração, mas de fato não é verdade.

Este e mês e data apontam uma série de reflexões, sobre a péssima situação socioeconômica do povo negro na sociedade brasileira. 
Afinal, mesmo pós a tão comemorada libertação da escravidão, a maioria da população negra e principalmente as mulheres negras continuam obrigadas a conviver com a vulnerabilidade social, sem aceso aos diretos fundamentais garantidos recentemente pela Constituição do Brasil. 

O mito da democracia racial que se tornou uma postura ideológica, se mantém cada dia mais viva, condenando cotidianamente o povo negro a exclusão, violência e desigualdades.  

No Brasil a população negra representa 54% da população, (dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgados pelo (IBGE). No grupo dos 10% mais pobres, os negros representam 75% das pessoas, mas entre o 1% mais rico, somam apenas 17,8% dos integrantes.

Em apenas cinco anos o número de pessoas negras na pobreza e extrema pobreza dobraram no Brasil. Este dados estão no relatório organizado pela ONG ActionAid, com base em informações da PNAD Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ao meu ver, matérias e chamadas que buscam falar do mês da consciência negra de forma comemorativa demostram uma grande falta de conhecimento, traduz a não aplicabilidade da Lei10639 nas escolas, a falta de acessos a informações corretas e falta de interesse em buscar informações corretas quando o assunto em pauta é população negra.
Chavões, frases postas e mal copiadas, sem sentido, palavras pejorativas, conteúdo criminalizador. Falta muito conteúdo em jornais, revistas, nas redes sociais de grandes acessos e circulações.

Então é preciso parar de falar nesta data tão importante? Não.

É preciso buscar o conhecimento correto. Dar voz a quem tem conhecimento. Visibilizar atores que lutam historicamente pelo combate a o racismo, pois detém conhecimento técnico, científico e político, seja através da academia ou da oralidade.  

É preciso fomentar agendas que tenham conteúdo que mecham com as estruturas do Estado.

Pautas que coloquem o reconhecimento do povo negro deste pais como cidadãos e não meros figurantes. Que fale da cidadania, que retrate as desigualdades e coloque a importância do acesso as riquezas, que dialoguem com a sociedade sobre a prática do racismo, mais também sobre a naturalização deste crime e a falta de cumprimento com as leis, tratados e convenções que o Brasil foi obrigado a assinar.

Que fale das reparações.

Diminuir a importância do mês da Consciência Negra e folclorizar o dia 20 de novembro é uma prática racista.

A luta do movimento negro pelo reconhecimento por parte do Estado do dia 20 de novembro vem se arrastando por dezenas de anos. E ainda assim, mesmo com alguns avanços ou arranjos sociais e estruturais, existem muitas prioridades para garantia da igualdade entre negros e não negros no Brasil.

As desigualdades raciais estão ai demostradas em cada ser humano negro que morre nas mãos das policias, nos rostos de quem não tem moradia, nas mãos de quem trabalha sol a sol, na pele negra de quem não tem saúde pública e específica, de quem usa transporte público, não tem saneamento, não tem emprego ou estar no subemprego. As desigualdades raciais estão verbalizadas nas palavras e falta de vontade política dos governantes independente do partido.

Não as enxerga de forma correta que não quer, pois não mudaram desde a escravidão, apenas se dão em outros formatos.  O crescimento da população negra na pobreza e extrema pobreza no Brasil nos últimos 5 anos demostra a falta de responsabilidade do Estado e dos governantes do Brasil que negam a debater o porquê somente os negros estão nesta situação.

Mas como uma população que contribui tanto com crescimento econômico pode ainda não conseguir acessar bens e serviços?

Porque negros e negras independente da formação recebem o pior salário no Brasil?

Os esforços para a construção social, o desenvolvimento da identidade em pessoas negras, combater o genocídio e a criminalização de jovens negros, oportunidades, igualdade salarial, reconhecimento da especificidades, acesso ao poder e a política, acesso as políticas públicas o pleno exercício da cidadania ainda são pautas vigentes e estão colocadas desde pós escravidão pelo movimento negro e de mulheres negras.

por Mônica Aguiar

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