Pesquisador será diretor de Igualdade Étnico-racial em Brasília.

Por:   | MARINGÁ Post

O antropólogo e pesquisador de Maringá, Igor Shimura, também conhecido como Igor Cigano, será diretor do Departamento de Igualdade Étnico-racial, que integra o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, comandado pela pastora Damares Alves. A nomeação no Diário Oficial da União deve sair até 10/1. Logo em seguida, ele pretende ir a Brasília assumir o cargo e preparar a logística para o trabalho que vem pela frente.

O departamento que Shimura vai comandar será subordinado a outra paranaense, a jornalista de Curitiba Sandra Terena, que será secretária nacional de Políticas de Promoção de Igualdade Racial do presidente Jair Bolsonaro. Terena é a primeira indígena a ocupar o cargo. Vale relembrar que o maringaense mais famoso dos últimos anos, o ex-juiz Sérgio Moro, foi escolhido para ocupar o Ministério da Justiça de Bolsonaro.

Shimura, que é mestre em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), é ativista social na defesa dos ciganos. A dissertação de mestrado teve o título “Ser cigano: identidade étnica em um acampamento Calon itinerante”. Ele relata que foi convidado para o cargo pela própria ministra Damares, com quem trabalhou em 2014.

SAIBA MAIS.:  Cinco lições vindas da Bahia

“Trabalhamos juntos naquele ano pela campanha ‘Sou cigano. Sou Brasileiro. Não sou Trapaceiro’, que tinha como um dos objetivos retirar do dicionário ortográfico da língua portuguesa a expressão preconceituosa para definir esse povo. Agora, ela lembrou de mim e me fez o convite”, diz Shimura.

Atuando em favor dos ciganos desde 2002, Shimura pretende ampliar o trabalho que vem fazendo há anos. “Há muito preconceito contra os ciganos, tanto os itinerantes quanto os sedentários. Precisamos, por exemplo, melhorar o acesso das crianças ciganas à escola e das mulheres ao atendimento de saúde”, explica.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não contabiliza os ciganos como uma etnia, como é o caso de índios e negros, mas os pesquisadores dos costumes desse povo calculam que no Brasil eles sejam cerca de 1 milhão de pessoas. “Claro que meu trabalho a partir de agora não será voltado apenas a um povo e sim a todas as minorias étnicas, mas os ciganos têm sido excluídos há muito tempo”, reforça Shimura.

SAIBA MAIS.:  Cinco lições vindas da Bahia

Sobre as necessidades das minorias étnicas no Brasil ele afirma que nos últimos anos “foi feito um trabalho de base, colocados os fundamentos e que agora será necessário colocar os tijolos”.

Polêmica com a Ministra

Nos últimos dias o noticiário e as redes sociais foram tomados pela polêmica envolvendo a recém-empossada ministra Damares Alves. Em um vídeo ela aparece dizendo que “meninos vestem azul e meninas vestem rosa”. O próprio presidente Bolsonaro já se envolveu diversas vezes em polêmicas com negros, indígenas, LGBT’s e outros grupos considerados minorias.

SAIBA MAIS.:  Cinco lições vindas da Bahia

Questionado sobre isso, Igor Shimura, que é integrante da Igreja Batista em Maringá, acredita que há um estereótipo muito forte com relação aos evangélicos no Brasil. “Precisamos acabar com esses pré-julgamentos. Sou evangélico e sou ativista social em prol de minorias. Já apanhei, já fui ameaçado e sigo lutando. Acredito que vamos mudar essa imagem com nosso trabalho”, conclui.

 
Grupo da Página Africas
Fechado group · 2 membros

Participar do grupo

 

Deixe uma resposta