Populações afrodescendentes e indígenas têm menos acesso à saúde

Por Nações Unidas

Populações afrodescendentes e indígenas no Brasil registram níveis mais altos de analfabetismo, pobreza e desemprego, além de maiores dificuldades para acessar os serviços de saúde, disse o oficial nacional da unidade técnica de sistemas de serviços de saúde da representação da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial de Saúde (OPAS/OMS) no Brasil, Fernando Leles.

Negros representam 70% dos cidadãos em extrema pobreza e 68% dos analfabetos no país, segundo dados do IBGE de 2010. Foto: EBC

Negros representam 70% dos cidadãos em extrema pobreza e 68% dos analfabetos no país, segundo dados do IBGE de 2010. Foto: EBC

Populações afrodescendentes e indígenas no Brasil registram níveis mais altos de analfabetismo, pobreza e desemprego, além de maiores dificuldades para acessar os serviços de saúde, disse na sexta-feira (3) o oficial nacional da unidade técnica de sistemas de serviços de saúde da representação da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial de Saúde (OPAS/OMS) no Brasil, Fernando Leles.

“Muito se avançou nos últimos 20 anos. Contudo, a região das Américas segue sendo a mais desigual do mundo”, disse o oficial da OPAS/OMS. “Este quadro é ainda mais grave para as populações afrodescendentes e indígenas, que continuam sendo as mais desfavorecidas, sofrendo com níveis mais altos de analfabetismo, pobreza e desemprego, além de maiores dificuldades para acessar os serviços de saúde”.

Segundo ele, tais fatores tornam importante o reconhecimento das desigualdades raciais como um determinante social da saúde. As declarações foram feitas durante o 32º Congresso Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, realizado em Fortaleza (CE).

Durante o congresso, a OPAS/OMS apresentou a décima edição da publicação “Painel de Indicadores do SUS (Sistema Único de Saúde)”, com tema “Saúde da População Negra”. Produzido pelo Ministério da Saúde, o livro contou com a colaboração da agência das Nações Unidas.

De acordo com o diretor substituto do Departamento de Apoio à Gestão Participativa do Ministério da Saúde, Carlos Alberto Silva Júnior, a publicação tem o objetivo de analisar dados estatísticos com recorte de raça e cor. “O racismo faz mal à saúde não só da população negra, mas de toda a população. É importante sabermos os desafios para implementar políticas”, disse, citando a importância do apoio do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CIBASEMS) e do Conselho Nacional de Saúde (CNS).

Para Ronald Ferreira, presidente do CNS, os municípios têm agora instrumentos objetivos para agir. “Hoje temos indicadores concretos de que necessitamos de equidade e justeza para termos uma política diferenciada que atenda a população negra”, afirmou.

Já o presidente do CONASEMS, Mauro Junqueira, comprometeu-se a dar ampla divulgação ao material produzido pelo ministério em parceria com a OPAS/OMS. “Temos total interesse em apoiar a gestão municipal. Passaremos nos próximos meses por uma renovação muito grande de gestores municipais, mas estamos trabalhando com capacitação a distância e estamos dando total apoio à política de saúde para a população negra”, finalizou.

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