Primeira mulher negra, militante contra o racismo, se elege Deputada neste domingo em Portugal

 por Mônica Aguiar 

Com doutorado em estudos africanos e um longo histórico de militância contra o racismo, a historiadora Joacine Katar Moreira protagonizou a história politica se elegendo à Assembleia da Republica  em Portugal.

Primeira na lista do partido Livre, pequena legenda de esquerda que ainda não tinha representação parlamentar,  tornou-se na primeira mulher negra a encabeçar a lista de
um partido a eleições legislativas.


“não há lugar para extrema-direita no parlamento”, salientando que o seu partido será “a esquerda anti-fascista e anti-racista”
Nascida na Guiné-Bissau, Joacine mudou-se com a família para Portugal aos oito anos. 
Por ser negra e estrangeira, sua presença nos debates e entrevistas são sempre 
companhados de uma enxurrada de comentários racistas e depreciativos .

Durante o processo eleitoral Joice recebeu críticas pela condição de ser negra como:- “se 
proveitando da condição de negra” para ganhar votos, mas tem desempenhado seu papel 
debatendo tais críticas com bastante sabedoria assinalado que as mesmas são fruto de racismo.

É de uma ironia absurda que alguns indivíduos estejam revoltadíssimos com o fato de eu me auto identificar como uma mulher negra. Eu, que andei a minha vida inteira sem ter hipótese de me esquecer de que eu era de origem africana. Não se passava um dia sem que as pessoas me perguntassem: “És de onde?”


A presença de uma mulher negra pela primeira vez como cabeça de lista de um partido ajudou a trazer para a agenda política portuguesa a questão racial, ainda pouco discutida no país.

 Eu não faço parte só de minorias, sou também de muitas maiorias. Eu faço parte de uma grande maioria de indivíduos que têm salários baixíssimos. Da maioria de pesquisadores nas universidades que estão em absoluta precariedade trabalhista, da
maioria de mulheres que não têm acesso imediato a áreas de visibilidade. Aqui é necessário que nós comecemos a relativizar o que é uma minoria e uma maioria — Afirma  Joacine. 

Joacine Katar Moreira é fundadora e presidente do INMUNE – Instituto da Mulher Negra em Portugal, que nasceu em 2018. Descreve-o como uma “entidade anti-racista” e “feminista interseccional” que quer intervir na sociedade e produzir conhecimento sobre as experiências das mulheres negras.

A criação de quotas étnico-raciais é uma das medidas do Livre, assim como a recolha de dados étnico-raciais sobre a população nos censos e a alteração da lei da nacionalidade, de forma que todos os cidadãos que nasçam em Portugal sejam automaticamente portugueses.

A eleição de Joacine Katar Moreira, à Assembleia da República, foi confirmada às 00:25 de segunda-feira.
Além dela, outras duas mulheres negras foram eleitas para o Parlamento português: Beatriz Gomes Dias, pelo Bloco de Esquerda, e Romualda Fernandes, pelo Partido Socialista.

Fontes e trechos:Gauchazh/portugaldigital/Correiodamanha

por Mônica Aguiar

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