Ruth de Souza parte no mês de luta das Mulheres Negras

Por Mônica Aguiar 

Ruth de Souza deixa heranças de luta para todas as mulheres, foi a primeira brasileira indicada a um prêmio internacional de cinema.
Primeira mulher negra a atuar no Teatro Municipal do Rio, atriz de carreira prolífica morreu aos 98 anos ontem 28 de julho, três dias após o dia 25 de julho.Dia que marca a luta das mulheres negras.

Ruth de Souza deixa uma historia construída com luta no combate ao racismo, discriminação e preconceito que as mulheres negras sofrem cotidianamente.

Ícone de várias gerações de atores,  deixa legado na dramaturgia e pioneirismo construído no teatro, cinema e TV brasileira ao longo de sua carreira.
Foi a primeira atriz negra a se apresentar no Theatro Municipal do Rio, a  primeira brasileira indicada a um prêmio internacional de cinema – no Festival de Veneza de 1954.

Ruth de Souza Pinto nasceu em 12 de maio de 1921, no bairro do Engenho de Dentro, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Atuou no Teatro Experimental do Negro, grupo fundado por Abdias Nascimento e Agnaldo Camargo.
Enfrentou as barreiras do racismo, do machismo e conseguiu atuar no Theatro Municipal, que até então somente atrizes brancas haviam se apresentado, ajudando abrir as portas para artistas negras no Brasil.
Ruth de Souza foi contratada para atuar na novela “Passo dos ventos”, onde interpretou a Mãe de Santo Tuiá, uma mulher sábia cujos antepassados eram escravos, no Haiti.  Em um momento de muita intolerância religiosa com o povo de religião de matrizes africanas no Brasil. 
Como uma das pioneiras da TV brasileira, a atriz participou de programas de variedades e musicais no início das transmissões. Novelas, seriados, filmes todos se marcam pela atuação desta guerreira. Clássico “O assalto ao trem pagador” (1962), de Roberto Farias, e “As filhas do vento”, de Joel Zito Araujo, com o qual foi premiada no Festival de Gramado de 2004.

Ruth foi homenageada no carnaval deste ano, pela escola de samba Acadêmicos de Santa Cruz durante desfile da Série A.

Ruth de Souza parte
 em julho, mês que marca
 a luta das mulheres 
negras.  


A atriz revelação lutou contra o racismo sofrido pelas mulheres negras e suas mazelas  existente com as desigualdades econômicas, invisibilidade na história social  e dores.

Ruth rompeu com modelo europeu ocidental de teatro, construiu questionamentos e reivindicações contra o racismo e suas consequências nas questões objetivas e subjetivas dos negros e negros.

Sua simples presença e atuação sempre tiveram traços políticos por ocupar um espaço destinado a brancos.

Ruth de Souza símbolo de resistência, voz das mulheres negras na linguagem e olhar poéticos. Deusa do Teatro transformou sua atuação em um proposito de vida.

Atriz revelação trouxe à tona falsetas do racismo ao denunciar por inúmeras vezes sua luta por bons papeis ao longo de seus mais de 70 anos de atuação.

Lutou e dialogou com a sociedade a valorização social do negro e da cultura afro-brasileira por meio da educação e arte.

Dispôs-se com Abdias Nascimento delinear um novo estilo dramatúrgico, com uma estética própria, não uma mera recriação do que se produzia em outros países. Defesa da “Verdade cultural do Brasil”.  

Influenciou a busca por libertação  dos povos afro-americanos, a visibilidade da mulher negra e a luta para romper o silêncio.

A diva Ruth Souza diante tantos desafios e silêncio existes desta forma de violência racial, denunciou estereótipos e o direcionamento dos atores/atrizes negros/as a papéis secundários e pejorativos.

Ensinou além das artistas negras, milhares de mulheres negras a entender e enfrentar  o racismo, o sexismo e todas as formas de opressão sofrida pelas mulheres negras, sendo protagonistas nas telas e teatros, construindo uma  trajetória para marcar  e exercer a  liderança sobre sua própria vida nas comunidades, espaços políticos e de poder .
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O corpo da atriz Ruth de Souza começou a ser velado às 8h desta segunda-feira (29) no Theatro Municipal, no Centro do Rio.
A cerimônia de despedida será fechada para os familiares até as 10h, quando o espaço será aberto ao público, até as 12h. 
O Crematório e Cemitério da Penitência informou que o sepultamento da atriz acontecerá às 16h30 no local, em cerimônia reservada à família e amigos próximos.

por Mônica Aguiar

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