Saiba mais sobre o Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira

O Globo | Paula Autran

Agora oficialmente presidido pela ex- secretária municipal de Cultura do Rio Nilcemar Nogueira, que deixou o cargo nesta sexta-feira, o Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira está previsto para ser inaugurado em 2020. Mas não será uma construção nos moldes tradicionais, como desde sua concepção tenta explicar Nilcemar.

Afinal, embora ele vá ter um prédio – a princípio o Docas Pedro II, em frente ao Cais Valongo, sítio arqueológico na Zona Portuária que ganhou em julho passado o título de Patrimônio Mundial da Unesco – adaptado para ser a sede, a ideia é que possa abranger toda a área conhecida como Pequena África. “Você tem a Igreja Nossa Senhora do Rosário, que também tem um acervo, e vai estar incluída nesse circuito, vamos dizer assim, como um guarda-chuva. Já de início, a gente vai abraçar o IPN ( Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos )”, disse a então secretária, em janeiro de 2018.

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A prefeitura firmou um convênio com a Unesco em novembro de 2017 para a criação do museu. A Unesco não põe recursos no projeto, mas ajuda nas captações. E, por conta dos apoiadores (bancos, organizadores internacionais), o museu passou a contar com R$ 10 milhões para o início dos trabalhos. Até então, ele se chamaria Museu da Escravidão e da Liberdade, mas o nome provocou críticas. Primeiro, pela rejeição ao uso da palavra “escravidão”. Além disso, sua sigla, que seria MEL, gerou polêmica. Segundo Nilcemar, a ideia era remeter à canavial, mas muitos entendiam ser uma forma de associar a escravidão a algo doce.  

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Nilcemar defende que a ideia deste museu de território é mostrar como os escravos  contribuíram para a construção da nossa sociedade. E reconhecer personalidades nas artes, na música… “Como Aleijadinho, Machado de Assis, André Rebouças, que não apareceram como pessoas negras. Ao visitar este histórico, como diz o samba da Mangueira, provocar uma pergunta: ‘será que já raiou a liberdade?’. A gente vive um modo de escravidão contemporânea. O que são as favelas, se não as senzalas?”, argumentava ela.

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O primeiro passo para a execução do projeto do museu será dado agora em 2019, com a sinalização e a iluminação desse território. Mas a liberação do prédio ainda depende da solução para um litígio com o governo federal , que é dono do imóvel, um armazém do século XIX construído pelo engenheiro negro André Rebouças, atualmente ocupado pela Ação da Cidadania, ONG fundada em 1993 por Betinho.

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