Solenidade na CMN lembrou a resistência das mulheres negras

Emoção marcou a sessão solene da Câmara Municipal de Natal, nesta terça-feira (21), em homenagem à Resistência das Mulheres Negras contra todos os tipos de discriminação, violência e assédio, seja na sociedade ou expresso e destacado pela mídia, conforme propositura da vereadora Divaneide Basílio (PT). Na ocasião, personalidades empenhadas na luta da mulher negra foram agraciadas com diploma meritório e a placa “Marielle Franco” pelos relevantes serviços prestados à sociedade.
Ao fazer uso da palavra, a vereadora Divaneide Basílio afirmou que a solenidade representa um momento histórico para o Legislativo natalense. “Não apenas pelo reconhecimento das contribuições de tantas mulheres incríveis na música, nos livros, na moda, nas escolas e universidades, nas comunidades e na política, lutando cotidianamente por um mundo e por uma Natal que acolha todas as pessoas. Mas também por ser este encontro, por si só, um ato de resistência das mulheres negras”.
“O Brasil foi o ultimo país a abolir a escravidão do povo negro, uma abolição inconclusa, que não nos dá motivo para comemorar. A pobreza e a marginalidade a que são submetidas as mulheres negras, reforçam o preconceito e a interiorização da condição de inferioridade, que em muitos casos inibe a reação e a luta contra as tantas discriminações que sofremos”, pontuou a parlamentar. “Estamos vivendo um momento desafiador, mas somos centenas de milhares de mulheres que representam uma força poderosa de mudança, somos agentes coletivos da historia e a nossa historia não será apagada”, declarou.De acordo com a presidente da UEE/RN (União Estadual dos Estudantes do Rio Grande do Norte), Yara Costa, ainda são poucas as mulheres negras que ocupam posições de liderança em instituições políticas, empresas e movimentos sociais. “A falta de respeito é o maior obstáculo para o fim das injustiças, haja vista que a atenção dada quando um homem ou uma mulher branca fala é sempre maior que a atenção direcionada para a fala de uma mulher preta. Mas iniciativas como essa da Câmara Municipal de Natal mostram que podemos ter esperança”.
Na sequência, Alna Brito do Nascimento, membro do Coletivo LGBT Leilane Assunção, defendeu a importância dos movimentos negros ocuparem as ruas para mostrar que a resistência vale a pena. “Precisamos conquistar novos espaços a fim de crescer e influenciar as mulheres no sentido de se tornarem empoderadas, conscientes de seus direitos, senhoras de seus destinos”.
Cristina Dias, militante das Amélias, movimento de mulheres feministas, informou que enquanto os índices de violência contra as mulheres brancas diminui a violência contra as mulheres negras cresce. “É expressiva a ação da vereadora Divaneide Basílio, tendo em vista que se trata de reconhecer o trabalho político e social das homenageadas no combate ao patriarcado, ao machismo, ao desrespeito. Sem falar no significado de celebrar a memória de Marielle Franco: mulher negra, feminista, que lutou por causas populares, simboliza a luta pelos direitos humanos e constitui nossa referência de resistência”.
Um das homenageadas, Verônica Gomes, proprietária do Sebo Cata Livros, falou que uma sociedade saudável se constrói com mulheres e homens trabalhando juntos em situação de igualdade. “Tem que ser uma relação de parceria. Ninguém quer ser melhor do que ninguém; a luta é por igualdade. O racismo e o machismo não podem vencer, para o bem de todos. Em tempo: respeito é pré-requisito para que possamos debater questões de fundo e, assim, fazer política com P maiúsculo”, finalizou.
Por Redação Jornal Novonotícias

por Mônica Aguiar

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