Vilma Reis cita Marielle e pede ‘resposta política contundente’: candidatura de mulher negra para a Prefeitura de Salvador

Socióloga e integrante do movimento negro garante que pré-candidatura irá às últimas instâncias no PT: “O método de escolha que nós defendemos são as prévias”

Por Evilásio Junior, de seu blog, no Geledés

Pré-candidata do PT à Prefeitura de Salvador e integrante do movimento negro nacional, Vilma Reis utiliza exemplos do Rio de Janeiro para defender a mobilização do grupo “Eu Quero Ela” na capital baiana. Na avaliação da socióloga, o momento é de reparação em relação ao recente assassinato da vereadora da capital fluminense Marielle Franco (PSOL), em março de 2018.

“Não tem resposta política mais contundente, que a gente possa dar para a sociedade brasileira e para a nossa irmã, Marielle Franco, que foi barbaramente assassinada em pleno exercício do mandato. Esse foi um golpe na democracia, no coração da comunidade negra e na sociedade brasileira inteira, que luta por liberdade e por transformação política”, afirmou Vilma, em entrevista ao EJR, durante sua plenária neste sábado (11), no auditório da Fundação Visconde de Cairu, no bairro dos Barris.

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Ela também lembra do episódio da assistente social, ativista e feminista, Benedita da Silva (PT), que perdeu a eleição de 1992 no segundo turno para César Maia. Anos depois, a ex-faxineira foi governadora – foi eleita vice, mas assumiu o Palácio Guanabara com a renúncia de Anthony Garotinho, em 2002, para disputar a Presidência da República –, senadora (1995-1998) e, desde 2011, deputada federal. “Vinte e oito anos depois de Benedita ter quase sido eleita no Rio de Janeiro, o Partido dos Trabalhadores tem a chance de entregar essa vitória para o Brasil inteiro e, sem as mulheres negras o Brasil, não vai”, ponderou.

Apoiada por petistas baianos, como o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli e o ex-deputado federal Luiz Alberto, e nacionais, como o vereador de São Paulo Eduardo Suplicy, a socióloga acredita que há uma mudança de paradigma em curso no país.

“Pela primeira vez, nós temos a esperança de que nós vamos, nesse ano de 2020, ganhar as eleições em Salvador. O nosso projeto de pré-candidatura é nacional e abriu um debate em todo o Brasil. Já tem pessoas pensando no que a gente está propondo aqui, do debate potente do ‘Eu Quero Ela’, da bancada do feijão, onde as pessoas estão se vendo. O desafio é nosso. São 470 anos de uma cidade que nunca teve um mandatário ou uma mandatária negra eleitos pelo voto popular [o atual vereador Edvaldo Brito foi prefeito de Salvador entre agosto de 1978 e abril de 1979, nomeado pelo então governador Roberto Santos]. É importante a gente dizer isso porque, após a marcha de mulheres negras, a nova estética política é com as mulheres negras”, comparou.

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Vilma Reis também discorda da iniciativa de membros do seu partido, inclusive o próprio governador Rui Costa, de tentar “importar” novos filiados para disputar a eleição.

“Somos quadros, somos lideranças, forjadas nas lutas contra as desigualdades, por direitos em nosso país, e entendemos que é fundamental que a gente faça esse diálogo dentro do partido e nós estamos lutando para afunilar essa lista. O nosso partido é diverso, amplo, com ideias. Então, toda a nossa batalha é para a gente conseguir aprofundar o diálogo e conseguir, nos próximos dias, juntar o nosso partido em torno dessa ideia”, considerou, sobre os cinco nomes colocados atualmente na legenda – ela, Fabya Reis, Moisés Rocha, Robinson Almeida e Juca Ferreira.

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De acordo com a militante, o seu nome irá até as instâncias finais internamente para conseguir a indicação para concorrer ao Palácio Thomé de Souza. “Eu confirmo. O método de escolha que nós defendemos são as prévias”, avisou.

Foto: Karina Ramos /Brasil de Fato

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